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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Refúgio das estrelas

Por tanto tempo esperei que alguma estrela cadente cruzasse o céu para que eu fizesse um pedido na certeza de que ele seria atendido. Por tantas noites contemplei o céu na espera de que antes do nascer do sol tivesse a oportunidade de pedir ao universo que ouvisse minha prece.
Deixei minhas preces perdidas no silêncio e acabei me perdendo de mim mesmo na espera de que um dia encontrasse uma razão e um motivo para ser. Triste ilusão de uma noite sem estrelas que angustiam com o passar das horas sem nos dar o alento que tanto precisamos. 
Dizem que os anjos vivem no céu e passeiam pela Terra recolhendo nossas preces, e eu me pergunto: Quem recolhe as preces dos anjos? Quem de fato se preocupa com o que o outro quer nesse mundo marcado pela ausência de lealdade e entrega?
A noite escura esconde em si muitos mistérios, tais como os que ocupam minha mente. O silêncio muitas vezes gritam o que não queremos ouvir e por isso o evitamos tanto. Pobres mortais que se enganam com o sentimento de serem eternos! A vida é ciclo, é roda gigante que gira sem parar onde tudo passa e nada fica. Por tanto tempo esperei a chegada de uma estrela que trouxesse luz para as noites escuras que minha alma tanto habitou até que me dei conta de que a minha própria luz estava o sempre todo comigo e eu que a escondi do mundo. Não há motivos para esperar do externo aquilo que tem que partir de mim!
Tomo posse da minha vida a cada amanhecer e não permitirei que ninguém o faça novamente. Sou dono do meu ser e de minha essência. E se hoje não encontro estrelas no céu, eu mesmo criarei as minhas!

domingo, 25 de novembro de 2012

Céu azul

Abro a janela e contemplo o céu azul que o dia me propicia. Respiro fundo sentindo a brisa suave que me dá condições de existir. É mais um dia que começa e dele poderei fazer o que bem entender, podendo escolher aquilo que irei sentir.
Meu dia é determinado por minhas vivências e por mais que haja a questão da imprevisibilidade ainda posso  decidir em que circunstâncias elas irão acontecer. Retiro meus sapatos e corro pela grama verde sentindo a liberdade a cada passo, desvio dos galhos que possam me derrubar e sinto a textura das folhas caídas. 
Sento debaixo de uma grande árvore e de repente me vejo deitado olhando para o céu e brincando de desenhar com as nuvens. Sou o autor das mais belas obras de arte e as deixo partir para que outros artistas possam redesenhá-las de acordo com suas vivências.
Vejo o ninho de um pássaro sob um galho e contemplo a perfeição de sua simplicidade. Escuto o balançar dos galhos pelo vento e entendo que a vida é movimento eterno e por isso não devemos parar. 
Hoje não tenho pressa e sei viver as demoras do existir. Sou infinito em minhas limitações e posso ser o que bem entender e quando eu quiser. Papéis escritos pelas minhas próprias mãos e que entram em ato pelas minhas ações. Esse sou eu, o poeta, o louco, o amante, o ator delirante!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Sonho de uma noite mal dormida

Foi tudo um sonho e apenas um sonho. Não chegou a se tornar realidade e não há motivos para que as coisas saiam do seu eixo. Foi apenas produção de uma noite mal dormida onde estive embriagado entre dormir e acordar repetidamente sem conseguir descansar.
Foi apenas um sonho longo e inebriante e nada além disso. Não há chance de misturar realidade e fantasia de olhos abertos, ainda que os pensamentos insistam em maquinar tentando me manipular. Estou acordado e vigilante e isso é o fato que mantém minha consciência em paz.
Não há razões para confusões quando a certeza é evidente, ainda que a certeza seja apenas uma percepção de um instante. Não há motivos para que o silêncio tenha a força de dominar a minha voz e me calar diante daquilo que é preciso gritar.
E quando a noite chega repito a mim mesmo que se ver o que não queria ver, será apenas um sonho. Se sou senhor do meu caminho e arco com as consequências dos meus atos não há o que temer. Acusações não existirão e não há lugar para covardia, não estou errando mesmo que siga por caminhos distintos do que todos esperam.
Foi apenas um sonho, um sonho com você...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Talvez, quem sabe?

E você se vê, de repente, não mais que de repente, entre a linha tênue do arriscar e do manter-se. Poderá conquistar ou ficar com o que já lhe pertence. Poderá melhorar ou estragar tudo. São tantas conjugações de um futuro incerto que não te pertence. E o que fazer?
Talvez...talvez...talvez...
São tantas possibilidades que se resumem em um simples ato, em uma única palavra e um momento que ainda não se sabe quando irá chegar. 
Talvez...talvez...talvez...
Os sorrisos seguram aquilo que insiste em querer ser dito, mas são tão belos que de alguma forma são o suficiente! Iluminam a história e trazem a luz necessária para que o dia seja revigorado pela esperança.
Os olhares - guardiões da alma - gritam a vontade que irrompe no ser. As vezes devoram e saciam a vontade de ir além e em outras revestem de ternura e dão forças para continuar.
Os gestos se controlam para não se entregarem e denunciar o que é tido como segredo. A vontade é de segurar em um abraço eterno e ter sempre perto o som do coração que dá o ritmo necessário para os passos.
Talvez...talvez...quem sabe?
Se fosse anunciado perderia o encanto de ser? Se fosse concretizado encontraria novas formas de existir? Eu não sei, ou talvez saiba, ou talvez negue, ou talvez gosto que seja assim. Talvez, quem sabe?

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Pedi você ao sol

Nada me causa tanto prazer quanto contemplar o belo espetáculo que um final de tarde me proporciona. O pôr do sol ainda continua sendo o fenômeno mais instigante da natureza ao meu ponto de vista. Tento compreender o motivo dessa sintonia só que a contemplação me absorve a ponto de consumir as minhas palavras.
O momento sublime é aquele em que o céu já está negro e resta apenas um filete vermelho sangue que vai se dissipando lentamente. E, de repente, surge a lua com seu brilho singelo e modesto para substituir a majestade do rei sol. Ela vem com seu brilho que mistura ao mesmo tempo pureza e malícia. Seduz e prende os olhos daqueles que a admiram.
Costumo sempre fazer um pedido a cada pôr do sol que posso contemplar. Tenho a sensação de que este é o momento da renovação, a hora em que finda-se tudo aquilo que passamos e que dá lugar a reflexão e a serenidade. É a hora da espera, do silêncio e do encontro.
Hoje pedi você! Estranho pedido a ser feito ao sol tendo em vista que ainda não sei quem é você. Desconheço tudo a seu respeito e nem sei a que horas irá chegar. Não sei por onde tens andado, nem com quem e muito menos o que fazes. Só que algo me diz que você está bem perto e a cada segundo se aproxima mais e que aos poucos a aproximação será suficiente para que percebamos a existência e presença de ambos.
Pedi você sem pressa! Que venha no momento exato e que venha para ficar! Pedi você com qualidades e defeitos. Que seja capaz de sorrir de algumas bobeiras e que saiba falar sobre as seriedades de alguns assuntos. Que nossos projetos tenham alguma semelhança e que sejamos capazes de ter respeito acima de todas as coisas. Que a liberdade seja o que nos mantenha unidos.
Pedi você sem saber, mas que você existe...eu sei!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Vidas perdidas

- Meu mundo está girando - diz um homem sentado sozinho em um banco de praça - sinto meu estômago revirando e meu sangue pulsando geladamente. Chega a ser tão gelado que parece que minhas veias serão cortadas e tudo jorrará para fora de mim.
Perdido em meio aos milhares de pensamentos que irrompem em sua mente, o homem não tem forças para levantar. Pessoas passam e parecem não notar que algo está errado com ele. A palidez de seu rosto revela que as coisas estão fora de controle, mas como controlar o que nos controla?
- Estou enlouquecendo - diz uma mulher sentada sozinha em um banco de praça - sinto que o mundo está fora de lugar ou não sei se existe mais lugar para mim neste mundo. Minha vida tem se tornado uma eterna repetição de eventos que nem gostaria de ter vivido.
Perdida em meio a confusão que sua vida se encontra ela não tem forças para levantar. Muitas pessoas passam e nem notam que aquela vida está em crise. Seu olhar perdido revela a necessidade de se encontrar, mas como encontrar algo que faz com que a gente se perca?
- Estou farto de tudo isso - diz um senhor sentado sozinho em um banco de praça - sinto que a vida perdeu o sentido desde que ela partiu. A dor da solidão me mata aos poucos e ninguém pode fazer nada por mim. A saudade as vezes é como uma faca a perfurar o meu interior lentamente.
Perdido em meio a suas recordações aquele senhor não tem forças para levantar. Muitas pessoas passam e nem olham para aquele que abriu o caminho para que hoje estivessem ali. Suas memórias são ainda a fonte da sua existência. Mas como se manter vivo com aquilo que nos mata lentamente?
- Viver não tem mais sentido - diz um jovem sentado sozinho em um banco de praça - para mim já não faz mais diferença saber que dia é hoje se cada dia tem sido uma eternidade para se findar. Por mim não haveria nem ontem, hoje ou amanhã. Acabaria tudo agora.
Perdido em meio aos seus conflitos o jovem não tem forças para se levantar Muitas pessoas passam por ali e nem notam que aquele jovem está vivo mas morto existencialmente. A dor do abandono é tamanha e palavra alguma parece explicar. Como permitir aproximações se a vida ensina que é melhor manter todos distantes?
As pessoas olham mas não enxergam além. Estão presas na superficialidade. E então um belo dia quando se deparam com uma manchete chamativa em um jornal é que se darão conta de que não precisava muito: era preciso apenas um olhar! Será tarde, porque os bancos estarão vazios...

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O cantar de um galo velho


Eu queria ao menos por um instante apagar minhas memórias e não me recordar de acontecimentos que insistem em invadir meus pensamentos. Queria poder recomeçar sem ter que lembrar o que vivi e com isso ser livre para agir sem medo e bloqueios.
"Só o tempo" ouço um velho dizer sentado à lareira de sua porta. Que tempo é esse? Escuto apenas um galo a cacarejar as horas passando mas nada vejo de mudanças. Pergunto ao velho e recebo apenas um olhar como resposta. Quem decifra esse olhar? A quem ele tenta devorar?
Há tempos tranquei as recordações em um baú no fundo do armário e hoje procuro um oceano para despejá-lo. O mar deve guardar bem segredos! Espero que mergulhador algum encontre as marcas da minha história e que ninguém se atreva a abrir aquilo o com sacrifício foi lacrado.
Mando para longe de mim o que ainda vive por perto. Quem sabe no fundo do mar esteja o tempo que tanto desconheço e que lá ela resolva fazer o passado ficar para trás e a vida seguir seu fluxo tal como as ondas que vão terminar na praia alegrando os que se lançam no mar da vida.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Igreja de quem e para quem?

Início essa postagem com um sentimento de indignação! Falarei sobre um assunto que quase nunca menciono nesse blog: Religião! À você meu caro leitor, sinta-se livre para continuar lendo ou se retirar desde já. 
Hoje fui obrigado a me questionar sobre o que andam fazendo das celebrações eucarísticas. Tenho a impressão de que o ritual tornou-se um espetáculo regado a pompas e poses com direitos a flash's que visam captar tudo o que é fútil e deixando de lado o principal do rito.
Recebi um "manual de orientações" sobre como proceder na liturgia e meu primeiro pensamento foi: "Meu Deus, o que fizeram com a Sua Igreja?". Esse manual contém orientações que norteiam desde as vestes até o seu penteado!
Sempre cresci com a visão de que Jesus havia escolhido os mais simples e humildes para se manifestar. Estava sempre andando com pescadores, gente humilde, simples e pobres. Era companheiro dos marginalizados e excluídos, se aproximava de leprosos, prostitutas, deficientes físicos e pecadores. E foi a esses que anunciou o Seu Evangelho.
Hoje para ouvirmos os ensinamentos do Mestre e participarmos da Eucaristia devemos seguir uma série de "orientações". Sim, a ocasião merece preparo, vestes adequadas tendo em vista que nos encontraremos com Aquele que é o Senhor, porém, será que o excesso de vaidades não sufoca a modéstia e simplicidade que Jesus sempre pregou?
Me pergunto qual o problema de subir em um presbitério calçando tênis? Qual o problema de uma mulher usar uma saia ou um vestido (adequado) a uma celebração litúrgica? Do que importa os esmaltes das unhas e a forma como o cabelo está penteado? O que seu perfume prejudica no andamento de uma celebração? Estamos em uma Missa ou em um desfile de moda?
Me questiono, estamos na Igreja de quem e para quem? Onde fica a escolha preferencial pelos pobres? Aqueles que não possuem uma roupa X e um sapato Y não podem se colocar diante de Deus?
Abram os olhos cristãos! Meu segundo pensamento ao concluir a leitura do manual foi: "Jesus, vem livrar Seu templo dos mercadores!". Estão fazendo um espetáculo onde "bêbados e mendigos deverão ser retirados com descrição" porque não são dignos (segundo as orientações) de estarem na Igreja.
Meu Deus, o que fizeram com sua Casa? É tamanha minha indignação com o que tenho visto. Onde foram parar os verdadeiros cristãos? Hoje são raros os que realmente entendem o real propósito de ir ao encontro de Cristo, Aquele que usava sandálias e devia ter os pés encardidos porque caminhava pregando o Plano de Salvação sem dar importância com o que as pessoas ao seu redor vestiam. 
Cristãos devem estar em extinção! O que vejo hoje é um número grande de pessoas que fingem entender os ensinamentos do Mestre e se enganam ao pensarem de que a forma com que você apresenta o seu exterior é mais importante do que aquilo que você traz em seu coração!
Procura-se cristãos! Procura-se cristãos, mas que sejam autênticos!

sábado, 3 de novembro de 2012

Despedidas e boas vindas

Eis que novos dias se aproximam e a transição é chegada! Hoje é o dia em que ciclos irão se encerrar e momento em que a esperança por uma nova fase repercute dentro de mim. Sou um ser mantido pelo simbolismo e doutrinado pelos ritos. Sou uma metamorfose e que hoje resolveu ter dia e hora para acontecer.
O que muda de um dia para o outro? Talvez do ponto da razão praticamente nada. Os anos amontoam-se até que sejam de fato notados e sentidos, as horas repetem-se inúmeras vezes até que perceba que o tempo realmente está passando.
Se hoje me convidassem a discursar talvez palavra alguma seria necessária. Trago em mim todas as marcas do que é preciso ser dito. Tenho no olhar a certeza de que recomeços são precisos, no sorriso o agradecimento por um novo dia, nos pés a força do caminhar sempre e sem desistir e nas mãos a disponibilidade de me permitir.
E o coração? - ouço uma voz distante a me perguntar. Nele guardei o que de melhor há em mim e nele habita aqueles que são construtores desse meu lado humano perfeitamente imperfeito. A cada pulsar lembro-me quem sou e trago esse sinal para que jamais me esqueça da minha essência.
O tempo tem passado e mais um ciclo encerra-se e hoje reflito sobre o que estou levando desse ano que deixo para trás. A reflexão me propicia o amadurecimento mas lembra-me também de que no caminho da vida encontramos flores e espinhos. Hoje escolho a palavra "aprendizado" para definir o que estou levando. Parece pequeno diante da imensidão de acontecimentos que pude viver, porém, os aprendizados foram imensos e hoje sou mais consciente de mim mesmo por me permitir aprender.
Grito ao mundo que hoje sou livre e que posso conquistar o que quiser. Jogo ao vento as lembranças que não tem mais sentido de ser e peço que ele leve para longe aquilo que de fato nunca tive por perto. Roubo algumas estrelas do céu e guardo dentro de mim para que jamais deixe de emanar luz em meio a situações que insistem em me deixar no escuro.
Meu presente hoje é minha própria vida e algo mais valioso que ele ninguém poderá me dar. Estou vigilante: não permitirei que ninguém me roube de mim. Não tenho medo do futuro e não levarei mágoas do passados. Hoje é dia de fechar o que insiste em ficar aberto por ficar, é dia de desocupar espaços para tudo que virá nessa nova etapa. Hoje é o dia que tenho e nada mais. Hoje tenho a mim mesmo por inteiro e isso nada irá mudar.


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Sobre a ideologia e o desejo

Diz um velho ditado que uma andorinha só não faz verão. Pobre andorinha condenada a viver na companhia de outros para ser o que deve ser. Será que a liberdade existe para alguém?
Ando pensando muito nas ideologias a que somos submetidos. Quantas falsas verdades temos que defender diariamente ostentando a bandeira da desonra manchada pelo sangue dos inocentes que deram suas vidas em troca de esquecimento.
O que faz de uma pessoa um herói? Talvez seja a coragem de nadar contra a correnteza e enfrentar os olhares de reprovação por ser diferente. De que lado você anda? Se realmente companhia definisse caráter alguma verdade poderia ser encontrada. Tem tanta gente perdida por aí fingindo ser o que não é. Tem tanta gente vestida com as máscaras da mentira prejudicando aqueles que são algo por inteiro. Distorcem a imagem daqueles que tem coragem de se mostrar ao mundo sem medo do que irão dizer. Tem tanta gente precisando se descobrir.
Infeliz da andorinha que sofre por desejar quebrar o estigma de ter que seguir a mesma rota todos os anos e está condenada a morrer com seu desejo irrealizável. Infeliz daquele que só deseja e não faz por onde se satisfazer! Pobre de espírito é aquele que renuncia seu desejos mais íntimos em função de desejos alheios.
Um mundo melhor seria aquele onde todos pudessem exprimir suas ideias e pensamentos. Seríamos, talvez, menos ideológicos se fosse possível realizar os sonhos mais secretos que guardamos nos travesseiros por medo de que os outros pensariam se nos ouvissem. Seríamos em algum nível libertos da liberdade ideológica a qual estamos condenados a viver.

domingo, 28 de outubro de 2012

A voz do silêncio

O que é o silêncio? Será que se resume apenas ao fato de calar a voz e manter os lábios fechados? 
Dependendo da forma e do momento em que acontece ele pode ser tanto positivo quanto negativo. Silenciar as vezes é engolir o mundo e remoer dentro de si angústia, tristezas e alimentar sofrimentos. O silêncio desse tipo grita e exala pelo corpo, causa insônia, ansiedade e até mesmo depressão. Silenciar em situações onde deveríamos falar é a pior forma de mostrar ao mundo o que se quer. Não deixe que seja preciso seu corpo falar para que você aprenda o valor das palavras.
O silêncio também é sabedoria na medida em que aprendemos que ele pode ser um bom meio de evitar que as situações se compliquem ainda mais. Silenciar é colocar-se no lugar de pessoas que ainda não possuem uma condição intelectual a ponto de não entrar em discussões tolas e infundadas. Silenciar não ser fraco ou covarde, pelo contrário, é ser forte ao ponto de superar os próprios impulsos e conseguir ter o domínio de suas ações.
Um silêncio evita que você machuque profundamente alguém. Aprenda a guardar suas palavras em momentos onde a razão lhe foge. Não faça de suas palavras um tiroteio em quem lhe ouve. Não fira os ouvidos e o coração de seus ouvintes. Cuidado ao falar, palavras não voltam.
Talvez um dos grandes erros das pessoas é que elas muito falam e agem pouco. O mundo seria diferente se as ações fossem utilizadas como linguagem também. Mais do que palavras, precisamos de atitudes que possam modificar os nossos caminhos. O silêncio pode ser ouvido, sentido e - se você tiver sensibilidade - entendido. Faça a experiência e escute o que há dentro de você, as vezes é bom impedir que nossa própria voz impeça-nos de nos encontrarmos.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Brilha onde estiver

Hoje faz uma semana que você se foi e as lembrança da sua voz e sua risada se fez presente o dia todo. Ontem estávamos todos reunidos celebrando pelo tempo em que vivemos com você. Ainda é estranho e difícil entender como a vida é um suspiro diante da eternidade e a finitude da existência material é a nossa maior angústia.
Ontem quando vesti a camiseta com sua foto me senti deslocado no mundo. Quando a gente imagina que irá homenagear um amigo ausente? E de repente vejo várias pessoas tentando da mesma forma preencher o vazio que você deixou e então de alguma forma me senti um pouco mais forte por saber que o silêncio da sua voz tem sido sentido por várias pessoas. Me fortifiquei em saber que você fez a diferença no tempo em que lhe foi dado.
Ouvimos a fala que dizia que temos que aprender a conviver com a saudade sem dor porque só sentimos falta do que foi bom. É preciso então olhar para as vivências alegres que tivemos, sorrir ao lembrar dos momentos em que o riso se fez presente e guardar no coração e na memória a sua imagem sorrindo.
Talvez demore um tempo para que possamos retirar a dor da partida, ou talvez isso nunca aconteça. Sinto orgulho de ter podido fazer parte da sua história e ter você presente na minha. As lágrimas brotaram em muitos olhos e a voz que cantou soube traduzir muito bem o que sentimos: "meu corpo viraria sol, minha mente viraria sol, mas só chove e chove...". Chove em nossos olhos a dor e a saudade, mas de alguma forma impera a vontade de entender que sua vida nos aqueceu e que você com seu jeito debochado em alguns momentos e simples em todos outros soube iluminar nossa existência.
Continue brilhando onde estiver, porque hoje nossa estrela está incompleta, mas um dia iremos nos reencontrar e já não houverá dor, luto ou lágrimas. Estaremos todos sorrindo e com a certeza de que nada foi em vão. Seremos eternos, assim como a sua lembrança para cada um de nós.


"Não há de ser nada pois eu sei que a madrugada acaba quando a lua se põe.A estrela que escolhi não cumpriu com o que eu pedi e hoje não a encontrei, pois caiu no mar e se apagou. (...) Brilha onde estiver..." (O Teatro Mágico)

sábado, 20 de outubro de 2012

Histórias de travesseiro

Alguém segure firme em minhas mãos e me diga que tudo está tranquilo e que nada vai poder me abalar? Hoje a insegurança resolveu me visitar e tirou o brilho do meu olhar. Sinto-me trêmulo e com os passos vacilantes. Sinto esse silêncio me sufocando e a sensação de que devo gritar bem alto em busca de socorro mas não tenho voz suficiente para isso.
Alguém hoje pode me olhar no fundo dos meus olhos e dizer que tudo foi apenas um momento e que agora a vida continua e que não preciso me prender as mágoas que tenho em meu coração? Hoje o medo tomou conta dos meus pensamentos que insistem em resgatar lembranças que gostaria de esquecer.
Será que toda madrugada de sábado me sentirei assim? Será que todo mês relembrarei a sensação de esvaecimento e solidão? Um mês se passou e eu estou aqui perdido e com vontade de correr para o infinito. Correr rumo ao sol e a certeza de que alcançarei a luz no final do túnel e que passarei a ver a vida com cor novamente.
Solidão acompanhada é uma das piores sensações que podem existir! Quero romper minhas limitações e aprender a ser maior que tudo isso que me assola. Quero olhar para essa noite e acreditar que amanhã será um novo dia, com novas vivências e que tudo será melhor.
Estou cansado e tenho medo de dormir. Não quero ver nos meus sonhos aquilo que insisto em manter longe de mim. Alguém pode cuidar do meu sono e acariciar meus cabelos até que eu durma? Se possível, sente-se aqui e conte uma história que me faça dormir, mas, que essa história não venha carregada de ilusões porém, contenha em si o sabor doce e amargo do existir.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Introspecção

E de repente me vejo tendo sentimentos que há tempos não experienciava. Percebo que enfrentar a mim mesmo é a maior das batalhas que existe e que tenho combater com todas as minhas forças os meus próprios medos para enfim me encontrar. A batalha é cansativa e extensa mas aos poucos os resultados vão aparecendo.
Se olhar sem espelho é uma grande dificuldade. Esse olhar vai além de fechar os olhos e contemplar as imagens que surgem na escuridão que os olhos fechados submete-nos. É preciso olhar para cada pedaço de mim e perceber quem de fato sou e o que estou fazendo.
Tem situações da minha vida que revejo mil vezes e em cada uma delas me dou conta de um novo aspecto. As vezes a sensação é tão boa que tenho vontade de sair correndo na chuva sorvendo o sabor da liberdade. As vezes me olhar dói ao ponto de querer apagar alguns sentimentos que habitam em mim. As vezes o que vejo não em afeta em nada e percebo que algumas coisas para mim já não significam muito.
Luto com minhas forças para continuar nesse processo. Quero ir até onde conseguir e descobrir em mim que ainda tenho muitas coisas boas para viver e para ser. Pretendo me encontrar comigo mesmo e não permitir que ninguém impeça esse processo infindável. Me reinventarei, me reconstruirei quantas vezes forem necessárias e ninguém vai conseguir me destruir. Nunca mais...

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Mural de fotos e fatos

(Heitor Breda)
Começo essa postagem com o coração partido. É a segunda vez no ano que recebo uma notícia que me faz perder o chão. Meu telefone toca logo cedo e recebo a notícia de que você morreu e me vejo atordoado tentando acreditar.
Nos conhecemos de uma forma diferente e inusitada. Vivemos um história "surreal" no começo, éramos dois adolescentes cheios de histórias para viver. E o tempo passou...
Compartilhamos tantos momentos bons! Lembro de quando resolvemos criar o bloco "Los Capetas", passamos longas tardes na fonte discutindo e tentando fazer o melhor bloco para que pudéssemos nos divertir nos carnavais regentenses. E o nosso bloco fez sucesso, muito sucesso!
Tantas vezes tomamos tereré sentados em nossa escada na fonte. Era uma época em que não tínhamos tantos compromissos na vida e podíamos ficar na rua conversando, rindo, falando bobeiras sobre a vida e as pessoas. Éramos um quarteto fantástico!
Meu companheiro de trucada, como roubávamos e ganhávamos no blefe ou por sorte! Parceiro de virada de ano, de Preto e Branco, aniversários de Regente, de longas conversas no msn de dia, tarde e madrugada a fora. Lembro a primeira vez que você foi para um Jogos Regionais e ficamos no mesmo alojamento onde você como sempre "causou".
E  vida passou e a seriedade chegou. Comecei a faculdade e me distanciei. E logo você começou a batalhar pelo seu sonho de ser médico e com isso sumiu também. Nos víamos raramente nas ruas ou em baladas. Conversávamos as vezes e sempre o riso era garantido.
E finalmente você conquistou o seu maior objetivo: ser aprovado no vestibular! E pude participar da comemoração desse momento que, acredito eu, foi o dia mais feliz da sua vida! E você estava irradiando alegria para todo lado.
A vida é imprevisível e tudo muda tão rápido. Fico aqui pensando que só em momentos assim sentimos a necessidade de dizer as pessoas o que elas representam em nossas vidas. Perdemos tanto tempo em tolices e esquecemos que a vida é um grão de areia em meio a imensidão da eternidade.
E hoje olho para meu mural de fotos e vejo aqui na parede do meu quarto a foto do nosso quarteto. Me perco em meio a sorrisos e lágrimas que me dividem em dois: um que sente a dor da partida e outro que se alegra por poder ter te conhecido.
Descanse em paz Heitor...sorria onde estiver, porque aqui estamos sentindo falta do seu sorriso sempre estampado nesse rosto.  


domingo, 14 de outubro de 2012

Canção de ninar

É bom celebrar a vida e perceber que histórias são sempre inacabadas e que a esperança ressurge lá do final do túnel escuro que a alma se encontra. Ainda existe uma luz no final do caminho que impulsiona o andar!
Reconhecer a beleza da simplicidade é um grande caminho para a felicidade. Olhe ao ser redor e veja o que realmente é primordial para sua existência, perceberás que não precisamos de acúmulos ou excessos e que a maioria desses itens dinheiro algum pode pagar.
Contemple a face de um bebê por alguns momentos e veja que a magia da vida se renova a cada instante. Veja o sorriso puro de uma criança, sem motivos e sem preços. Perceba a fragilidade e ao mesmo tempo a força que ali habita. Aquele ser minúsculo em seus braços trilha uma batalha interior a cada segundo para poder crescer. Está em processo de metamorfose!
Transformar-se acaba se tornando cada vez mais difícil com o tempo. Seria bom se olhássemos para nossas evoluções e surgisse a motivação de continuar nesse processo infinito de metamorfose. Seria bom perceber que a cada dia modificamos nosso ser e que a estagnação é algo que não nos pertence.
Hoje celebro a vida em seus mistérios e segredos. Canto o silenciar dos dias e os espetáculos que se revelam apenas a quem se propõe a olhar. Danço na chuva até a última gota cair e contemplo o sol nascer e partir. Sento-me embaixo de uma árvore para ver o céu azul e desenhar nas nuvens, dou a elas o formato que quero porque a minha vida surge a partir da minha percepção do meu meio. Se posso escolher, por que não desenhar uma vida marcada pela simplicidade e felicidade?

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Cartas para Deus

Acabo de assistir um filme chamado "Cartas para Deus" e me sensibilizei muito com a história. A vida é infinitamente uma caixa de surpresas e aprendemos a todo tempo com as histórias que presenciamos. Comparar dores não é um bom caminho para encontrar algum conforto nas feridas que nos são impostas perante a vida, mas, de alguma forma olhar para a dor do outro nos dá uma esperança a mais na medida em que percebemos que não somos os únicos a sofrer nesse mundo.
Resolvi seguir o exemplo do protagonista do filme que escrevia cartas para Deus e vou hoje escrever uma carta para Aquele que sabe o que está oculto. Destino essas palavras para o Verbo, o Princípio e o Fim. Que Ele possa receber em suas mãos as palavras que hoje custam muito para serem retiradas de mim.
"Querido Deus, sei que conheces o profundo do meu coração e sabe aquilo que silencio em minha vida. Acredito que em Tua presença palavra alguma é necessária porque conheces e sondas todos os meus pensamentos. Hoje eu tenho vontade de sentar diante de Ti e dizer tudo o que me sufoca.
Por vezes busco explicação para tudo que me aconteceu nesse ano e não encontro em nada algo que possa justificar ou que me faça entender as situações que passei. Acredito que sou livre em minhas escolhas e que isso tem como preço a responsabilidade de arcar com as consequências. 
Hoje minhas mãos estão calejadas, meus pés cansados e meus braços sem força. Meus olhos muitas vezes vermelho mostram a quantidade de lágrimas que por eles passam. Meu sorriso não sai nem mesmo forçado e meu olhar busca em toda direção um caminho para seguir.
Caí inúmeras vezes e sei que sempre me amparou, ainda que não tenha percebido. Olho para minhas feridas e me pergunto se elas doem em Você também e se doem porque temos que encontrar o sofrimento pelo caminho? 
Hoje em dia tudo está muito confuso para mim. Me vejo perdido em meus pensamentos, sentimentos e nos locais onde habito. Sinto-me como um animal ferido e muitas vezes sem forças para lutar na selva da vida. Sinto-me deslocado nesse mundo onde as fragilidades são confundidas com fraquezas.
Deus, o que Você faz quando se entristece? Para quem dirige suas preces? No colo de quem Você chora? Posso estar equivocado em ter essa visão de um Deus humano. A Perfeição deve estar acima de todos os sentimentos e ações. 
Se me pedissem para Te definir em uma palavra ela seria Amor. Gostaria que me ensinasse a ser como Você já que o Amor tudo suporta, em tudo crê e tudo espera. Precisarei calejar muito meu coração para chegar a esse nível de espírito?
A Ti ofereço hoje meu silêncio que anseia por gritar. Ofereço meu cansaço e minha força de vontade que ainda me resta. Seja presença em meio a tantas ausências em minha vida e ajuda-me a saciar minha sede de Água Viva em meio ao deserto em que me encontro.
Que em Seu oceano de amor eu possa me banhar e lavar as feridas que existem em mim. Me leva onde a Sua voz possa ecoar em mim..."

domingo, 7 de outubro de 2012

Distorção onírica


Sonhei com você na noite passada e acordei sem saber ao certo o que tinha sonhado. Me lembro vagamente de alguns detalhes e nem fiz questão de tentar lembrar o sonho por inteiro. Não quero desvendar os possíveis conteúdos latentes de um sonho que não me agrada.
Resistência? Repressão? Que seja o nome que quiserem dar. Interprete quem for capaz e decifre o indecifrável nesse mundo de contradições. No sonho você não era tal como é em realidade. Mas afinal, eu sei de fato quem é você? Eu sei quem é você sem a máscara que cobre-o? 
Desnudar vai além de tirar as roupas. 
Entregar-se vai além de deitar com alguém. 
Compromisso não resume-se em uma aliança. 
Distância nem sempre implica em saudade.
Promessas podem não ser sinceras.
Palavras  diferenciam-se de atitudes.
As vezes bate um medo grande de ter estragado algo ou de não ter feito tudo que poderia fazer, mas nem posso, não quero e nem devo pensar assim. Ultrapassei meus limites para manter um equilíbrio até que percebi que não havia como equilibrar o tudo e o nada.
Hoje apenas lamento o fato de ainda existirem pessoas capazes de sugar por completo a saúde psíquica de outras. Pessoas que tem um grande poder de sedução e tal como uma cobra envolvem a todos que estão a sua volta até que possam dar o bote certeiro em suas presas já entregues.
E o que fazemos quando nota-se que tudo não passou de uma grande mentira? O que fazer quando a realidade não era mais que uma grande ilusão? Talvez tenha sido apenas uma miragem em meio ao deserto que me cerca... 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Delírio paranoide

Sinto que choro por dentro e as lágrimas são quentes a percorrer em minhas veias. Ouço o som delas caindo em meu interior e ultimamente só essa melodia tem me acompanhado.
Encontro-me absorto em um profundo silêncio. Meus pensamentos se perdem em alguns momentos e retornam. Sou bombardeado por recordações e tento de toda forma me livrar delas. Não quero ser escravo da memória e nem ficar preso em repetições que nunca me levarão a caminho algum.
Sou assombrado por fantasmas que deveriam estar bem longe de mim. Sou atormentado por lendas urbanas que cercam esse local onde habito. Sou atormentado por vozes que ecoam no espaço sem rostos que a projetem e por bocas que tentam gritar sem som.
Meu dia dura uma eternidade e minhas noites ainda mais. Meu travesseiro exala cheiros que não deveria e minhas paredes mostram imagens que a tanto tempo tranquei longe de mim. Olho no espelho e vejo um futuro que nunca planejei: para onde foram todos os sonhos?
Meu estômago revira em mil cambalhotas e perco a direção do caminhar. Meus passos estão lentos ultimamente e meu braços cansados de carregar o fardo pesado do viver. Preciso de um descanso e de um alento.
Tenho jogar fora as pedras em meus bolsos para não ferir mais ninguém e muito menos me ferir. Necessito de um abraço que ainda não encontrei e de um olhar que cure o meu interior. Alguém que me olhe como sou e não faça promessas em vão. Alguém que não diga nada mas que suas atitudes falem mais alto!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Vícios e virtudes

Ele não pertencia ao meu bloco porque era menor de idade. Subiu naquela tarde com um outro amigo para se distrair em meio ao tédio que aquele local impunha às pessoas. Magro, trajado com as roupas que lhe deram, cabelo curto.
Sua voz revelava os efeitos das suas drogas lícitas. Não estava existindo aí então uma contradição? Ele estava ali porque consumia aquelas que a lei ainda não havia liberado. Erro do sistema? Erro de quem? Quem define o que é certo e errado nesse mundo contraditório?
Tinha apenas 15 anos e experiências um tanto quanto inusitadas. Cada um encontra sua forma de lidar com a vida e ele seguiu por um caminho onde seria chamado de bandido, maloqueiro, traficante, drogado. Partiu para um caminho cujo as ações sempre o levariam para algum tipo de prisão.
Pegou o violão e tentou tocar, mas não sabia! Imagino que se tivesse tido a oportunidade no momento certo poderia ser um grande músico, quem sabe! Assim como poderia ser o que quisesse se sua escola fosse um ambiente motivador, se a distribuição das riquezas não fosse tão desigual, se o mundo não fosse tão excludente com as pessoas.
De repente ele se afastou com uma folha e um lápis e ficou absorto em seus pensamentos rabiscando algo em um papel. Passado algum tempo aproximou-se e disse: "Esse é para você". Seu desenho era simplesmente lindo e cheio de simbolismos.
Cada um encontra sua forma de expressar o que tem por dentro. Cada um lida com sua dor como pode. O sol deixa de brilhar e a noite escura precisa surgir para que a lua brilhe. Será que são felizes por nunca poderem estar juntos ao mesmo tempo? 
Quem sabe tudo não seja uma questão de oportunidade...

sábado, 29 de setembro de 2012

Transtorno bipolar

Ele era calado e revoltado. Tinha um semblante fechado e um olhar sempre desconfiado. Cabelos curtos, barba por fazer e um jeito largado de se vestir.
Aos poucos se aproximou e iniciou uma conversa breve e típica de inícios, apresentações formais e logo em seguida o silêncio. Mais tarde retornou com novos assuntos e sempre com perguntas e mais perguntas. De repente surge um sorriso em seu rosto que transformou totalmente seu semblante: não era a mesma pessoa!
Assuntos foram surgindo e afinidades também. Tínhamos alguns colegas em comum e ele já havia morado em minha cidade. Por vezes frequentamos os mesmos locais e fizemos as mesmas coisas e nunca havíamos nos visto. 
Sua revolta surgia em alguns momentos em que pedia a liberdade de romper as trancas e poder correr mundo à fora. Ele queria muito mais só que não sabia por onde começar. E quem poderia lhe indicar o caminho se todos tentavam barrá-lo?
Passava de uma agitação para um profundo isolamento. Deitava e dormia e as vezes fingia que dormia. Seria esse o único meio de sumir dali? Isso ninguém poderia responder por mais que seus olhos gritassem a todo momento o que sua boca calava.
Por duas vezes eu vi ele arrumando suas coisas para partir e por duas vezes vi ele frustrado por não ter seu desejo atendido. Vi ele chorar uma vez e vi ele enfrentar os soldados de fardas brancas por inúmeras vezes. Alternava entre sua apatia e sua agitação. Alternava entre sorrisos e semblante fechado. Alternava entre silêncio e reclamações. Alternava porque não tinha outra alternativa.


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Esquizofrenia

Ela tinha um jeito de andar diferente tanto em seus passos curtos e rápidos quanto em seu visual sempre colorido com direito a rendas e bordados. Cabelos curtos - cortados por ela mesma - demonstrando seu jeito despojado de ser.
Sua voz era suave e ao mesmo tempo carinhosa. Tinha um olhar feliz e todo dia ouvia as músicas do mesmo cantor. Era baixa em estatura mas muito grande em sabedoria. Sua fala era culta e seus conhecimentos eram imensos.
Uma tarde descobri mais um de seus talentos: ela desenhava lindamente. Sua pintura era sem perspectiva como ela mesma fazia questão de enfatizar. Em um mesmo espaço haviam muitas cores e formas que se completavam formando um cenário lindo de se olhar. E cada desenho tinha uma história longa que ela insistia em me contar.
Ela gostava de conversar sobre todos os assuntos e com todas as pessoas. Tinha a capacidade de ter uma escuta atenta e um conselho sempre pronto. Sua risada era sem medo e ecoava pelos corredores, assim como seu canto e sua dança.
Tinha experiências de vida que surpreendiam a qualquer um. Tinha delírios que eram quase reais. Seu sofrimento era ter consciência de que tudo que pensava não passava de uma fantasia. Era uma apaixonada, sofredora e com o coração ferido.
Estranhamente ela gostava daquele local e de lá não queria sair. Seu motivo era claro e vestia um jaleco branco. Sua doença de amor nunca teria cura porque jamais receberia ao menos uma receita de seu objeto de desejo.
Na minha partida ela me deu um abraço demorado e disse que sentiria falta de "trocar ideia" comigo e que gostaria de me ver pela vida a fora. Quem sabe um dia não nos cruzemos por essas estradas imprevisíveis onde em um segundo tudo se transforma e muda de lugar.
Pinte seus sonhos em seus quadros. Transforme as fantasias em realidade. Não deixe mais ninguém machucar seu coração. Sorria e dance. Talvez em seus delírios a vida seja bem melhor do que aqui...

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

3102-A

Experimentei o sabor amargo da morte preparado por minhas próprias mãos. Dei goladas de um veneno que tinha como propósito sarar a minha dor. Deixei ao mundo minhas últimas palavras rabiscadas em um papel que ninguém leu. Gritei em silêncio para o mundo mas minha voz não mais saía.
Tentei me agarrar em algo mas minhas mãos estavam frias e meus braços não mais moviam-se. Eu escutava alguém gritando e algumas lágrimas pingavam em meu rosto sem expressão. Meus olhos não conseguiam se abrir e meu pensamento estava confuso.
Senti uma movimentação mas estava desorientado e não sabia para onde me levavam. Não havia noção de tempo e de espaço. Não havia mais identidade, personalidade ou qualquer outra forma de menção. Ali estava apenas um corpo querendo findar a existência e sendo impedido por pessoas que lutavam para que a vida prosseguisse.
Um breve piscar e estava em uma sala branca e iluminada. Haviam muitas luzes pelos espaços e sons de aparelhos e de pessoas correndo. Senti os procedimento iniciando-se e de repente adormeci por completo.
Não haviam sonhos ou pesadelos. Minhas memórias apagaram-se por completo e o tempo perdeu seu ritmo. Não sei quantas horas se passaram e nem sei por onde eu passei.
Acordei desnorteado e confuso. Fiquei recluso com minha solidão tendo que olhar para mim sem espelhos. Tive que me encontrar com meus fantasmas e exorciza-los para longe de mim. Vi a dor face a face e dialogamos. Recebi o abraço da morte mas ela foi expulsa por uma espada de um arcanjo.
Nova chance, nova vida. Agora é hora de mudar. Agora é hora de viver. Morrer não dói mas viver ainda vale a pena.

sábado, 22 de setembro de 2012

Thanatos

Os anjos anunciam com suas trombetas de ouro que o fim está próximo. Preparem os caminhos e endireitem os corações partidos e esmagados. Reconstruam e destruam, nada restará!
Joguem suas moedas ao vento e retirem essas máscaras de seus rostos. Vivam a autenticidade pelo menos nos últimos segundos e saboreiem o gosto amargo da dor e do remorso. Engulam suas lágrimas forçadas e tirem essa falso sorriso do rosto. 
Rasguem suas mentiras e as falsas promessas. Devolvam aos seus donos as ilusões que sofreram. Reúnam toda a dor e construam uma bomba capaz de destruir o mundo. Escute a voz daqueles que sofrem e se possível estenda suas mãos para alcançá-los. 
Não se preocupe se ninguém se preocupar, estamos no Planeta do Egoísmo lotados de cidadãos hipócritas. Nas escolas foram ensinados a dissimular e o critério de aprovação era o de enganar e ferir. Foram graduados e pós graduados na arte de iludir.
Não se espante com esse nó na garganta, ele vem da corda que a aperta e o fim está cada vez mais próximo. Aperte e acabe com esse sofrimento porque não há mais saída. Não grite e não peça ajuda porque ninguém poderá fazer nada. É só você por você mesmo, um por todos e todos por nenhum. 
Silencie seu espirito e parta para um mundo onde talvez a paz esteja presente. Se der vontade chore trancado em seu quarto escuro e reúna a coragem necessária. Ouça e obedeça a voz dos anjos...o fim está próximo!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Processos básicos

O que tem impacto tem um potencial maior para ser retido na memória. Nossas memórias relacionam-se muito com os conteúdos afetivos. Somos (em essência) aquilo que lembramos do que vivenciamos, somos resultado de um processo de experiências que se de alguma forma se "eternizam", também nos ensinam a transformar os fatos em aprendizados.
O segredo é transformar o veneno em remédio e saber que a dor - por mais intensa que seja - uma hora irá passar e que as feridas e cicatrizes ensinam-nos a não cometer os mesmos erros. Só que a dor sempre traz consigo a sensação de ser eterna.
Recordar é uma forma de superar. As lembranças permitem que organizemos os fatos e possibilita a desconstrução de ilusões. Recordar é a possibilidade de sentir os mesmos prazeres de outrora e que de forma negativa é a margem dos ressentimentos.
Tudo na vida permite vários olhares diferentes que definirão nossas emoções. Da mesma forma com que duas pessoas olham para um mesmo evento e visualizam fatos distintos, posso olhar para as situações da minha vida e ver quantas versões eu quiser. É preciso muito cuidado com isso para que não caíamos na tentação de olhar somente o que convém.
Se os afetos norteiam memórias posso modificar minha forma de pensar e dar mais importância a eventos de felicidade e tê-los sempre pronto para serem recuperados na memória quando acontecimentos negativos insistirem em se eternizar em minha vida. 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Marca página

Hoje o dia se divide em inúmeras vertentes. Sinto uma mistura de sentimentos que se atropelam em meio a tantas lembranças que surgem de diversos lados.
Gostaria de rasgar meu calendário em mil pedaços e fazer com que os dias de repente sumissem. Gostaria de iniciar uma nova contagem dos tempos e de iniciar uma nova era marcada por alegrias e felicidades. Acabaria com a contagem gregoriana, judaica ou de qualquer outra medida utilizada.
Tempo não é dinheiro mas é um tesouro que tem um valor altíssimo muitas vezes pagável apenas pela própria vida. A vida é medida em tempos, marcamos os anos, meses e até dias. Somos norteados por contagens e mais contagens que não se acabam e com isso vamos lotando nossas agendas de simbolismos que nunca atingirão um concretismo.
Emparelhar dias a eventos é um jeito de manter por perto nossas vivências. É um modo de manter o passado sempre presente, rememorado a cada mês e a cada ano. O que seríamos sem nossas vivências? O que teríamos se não existissem essa contagem de dias e mais dias?
Todos os dias relembro de algumas coisas mas hoje as lembranças tornam-se mais vívidas. Sinto saudade e vontade. Desejo que me consome em todo o meu interior e me tira a paz. Quero correr ao seu encontro e te dizer tudo que está preso em minha garganta. Quero correr em sua direção esperando encontrar seus braços abertos disposto a me abraçar. Quero ouvir sua voz dizendo que está tudo bem e que não há motivos para temer. 
Acredito na afirmação que me fizestes ao dizer que desde a primeira conversa já sabia que tudo iria dar certo. Tudo deu certo realmente no período que conseguimos fazer dar certo. Talvez tudo ainda esteja certo e somente nós que estejamos nos momentos errados.
O que é nosso ninguém tira, nem mesmo a liberdade de partir...

domingo, 16 de setembro de 2012

Amnésia

Tem hora que me sinto um ser de outro mundo perdido nesse planeta. Não consigo me encontrar pelos locais em que ando e nem me identifico com as situações que sou obrigado a viver.
Minha voz ecoa pelos ventos em busca de alguém que escute meu grito de socorro e venha ao meu encontro e me levante do chão em que minha alma encontra-se caída. Sou como a árvore que um dia ostentou suas folhas verdes e agora está desnuda sofrendo com os ventos e tempestades que insistem em atingi-la.
O silêncio tem sido meu companheiro de longas horas e quando se vai logo retorna. Me encontro absorto em meus pensamento e memórias e não sei fazer outra coisa além de relembrar. Reviso minhas memórias e o que encontro? Nada é palpável e isso dói, uma vez que constato que a presença está  perto porém muito distante, está presente mas não posso tocá-la.
Se eu perdesse a memória será que tudo seria diferente? 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

"Que não seja imortal, posto que é chama"

Guardei seus pertences em um envelope e  lacrei-o. Sim, essa velha necessidade de mudar o exterior na ânsia de modificar o interior. Rituais e processos necessários na elaboração de lutos, onde cada etapa é de extrema importância e não pode ser pulada.
Dentro de mim ficam as lembranças de tudo que foi vivido e vejo que só tenho recordações positivas. Temos o costume de focar no que foi desagradável esquecendo que "deu certo" por muito tempo. Nossa história deu certo enquanto tinha que dar e ponto.
Não nego meus sorrisos para o mundo embora eles não tenham mais a mesma vitalidade de outrora. Vivo um grande silêncio dentro de mim que reflete-se no não ouvir da minha voz. Calei-me para ouvir e ver um pouco mais e finalmente compreendo que atitudes são mais importantes do que palavras.
Gostaria que você estivesse aqui segurando em minhas mãos ou que permitisse-me estar aí ao seu lado. Gostaria que a vida seguisse um outro ritmo no qual nossos passos caminhariam no mesmo ritmo. Seria bom...muito bom. 
O que faremos? Quem seremos? O que conquistaremos? Teremos que esperar o tempo responder essas perguntas.
Tempo, amigo e inimigo, mostre-nos a sua verdade!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Relicário

Os tombos da vida me ensinaram muito mais do que poderia imaginar. Perdi o medo de cair e hoje caminho a passos largos, ainda que em alguns momentos perca o ritmo.
As lágrimas que percorreram meus olhos purificaram minha visão e hoje consigo olhar para o outro e enxergo além da superfície. Vejo o que está oculto atrás da máscara e compreendo o porque de tantas atitudes inaceitáveis para muitos. 
Tenho sentimentos e isso faz com que eu sinta a dor desse momento, porém, é de uma forma diferente. Não estou petrificado em meu sofrimento vendo a vida passar pelos meus olhos. Darei minha face aos tapas quantas vezes forem necessárias até encontrar a felicidade que à mim está reservada em algum momento e lugar.
Fui feliz em tudo que vivi e isso custa um preço. A vida exige sempre um retorno e as vezes os retornos são penosos. Vivi intensamente tudo que a mim foi dado e até onde me foi dado. E me doei até onde me permitiram. 
Tudo tem seu tempo e seu momento. Missão cumprida implica em partida para novos ares. E a vida segue em frente levando atrás as lembranças de momentos incríveis que vivemos, porque a vida é um espetáculo e deve ser aproveitada ao máximo.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Vendetta!


Hoje chorei lágrimas doloridas que me cortaram a alma. Sinto que meu coração foi rasgado novamente quando estava prestes a terminar a cicatrização. Tolice achar que feridas se curam com remédios inadequados. Tolice pensar que alguém se importa com você...
E chega um momento em que cansamos de implorar por atenção em situações onde a presença deveria acontecer por si só, sem que para isso fosse necessário gritar no tom mais alto que estamos aqui ainda. E a presença vai se esvaindo aos poucos como areia caindo em mão aberta. Velha luta de tentar manter nas mãos o que nunca nos pertenceu.
Tome cuidado com as promessas, as pessoas podem acreditar. Tome cuidado com suas ações porque as pessoas podem notar. Lutei pelo que acreditava ser certo mas ninguém vence uma batalha sozinho. Velhos soldados em suas fardas rasgadas a rastejar pelo chão tentando salvar a vida. A luta só vale a pena quando ainda há esperança.
Como apenas um lado empenhado pode manter o equilíbrio de algo? A balança perdeu sua medida e tudo dissipou-se ao vento. E o que ficou? E o que restou? Alguém? Tem alguém aí?
As lágrimas molham minha face e não posso contê-las. É a unica forma que encontro para dar vazão aos meus sentimentos sufocados pela indiferença. Diga-me suas prioridades e direi então quem somos. Diga-me olhando nos meus olhos se disso for capaz. Não fuja de mim para fugir de você.
Acreditei em uma velha promessa: "Basta você dizer sim para eu fazer de você a pessoa mais feliz desse mundo". Não entendo sua forma de realização, não entendo essa mudança brusca de personalidade. Não entendo tanta coisa e nem sei se quero entender.
O principal eu já entendi mesmo sem querer entender. Neguei para mim mesmo mas não tem mais jeito. Quanto a você, entenda como quiser, seja como drama, sofrimento ou o nome que quiser dar. Assim não dá para continuar.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Feliz aniversário Carol

É...o tempo passa e a gente nem se dá conta. É como um piscar de olhos e de repente está tudo diferente. E o mais engraçado é parar para pensar que restam do passado apenas algumas imagens e lembranças soltas de momentos vividos.
Hoje paro para olhar fotos e vejo que alguns momentos foram eternizados só que é dificil reconhecer-se tal como retratado em imagens do passado. E o que levamos de tudo isso? Levamos o aprendizado, levamos as experiências e em particular a certeza de que a felicidade sempre me acompanhou desde pequeno.
E hoje já não somos tão amigos como já fomos um dia, talvez não da mesma forma. Já não passamos mais longas noites conversando e rindo de bobeiras infantis. Não vamos mais em festas juntos e nem saímos aos finais de semana para ficar bêbados com batidas de sorvete.
Hoje não temos uma gangue formada de primos - nem tão corajosos assim - e nem brincamos mais de carro-casa. Não vamos mais pra Infância Missionária e nem brigamos mais com direito a porradas e ponta-pés (embora a vontade ainda surja as vezes).
Mudou? Mudou sim e muito. Hoje estamos cada um seguindo seu caminho e construindo sua história. Lutamos pela nossa felicidade cada qual com sua arma. E o que fica? A saudade de voltar no tempo e fazer tudo novamente. Como ainda não existe a possibilidade de um retorno a solução é apegar-se as lembranças.
E hoje mais um ciclo fecha-se e outro incia-se em sua vida. Somos seres ritualísticos com necessidade de comemorar datas. Talvez em muitos calendários hoje não esteja escrito que é seu aniversário, mas para nós é um grande motivo de festa.
O que posso te oferecer nessa data? Apenas meus votos e minhas orações. Desejo que a vida sempre lhe ofereça um ombro amigo nos momentos de necessidade. Desejo que você tenha muitos pódiuns para subir celebrando suas vitórias. Desejo que a felicidade seja sua morada, a perseverança seu guia e a paz seu aconchego ao final de uma noite.
Obrigado por todos os momentos compartilhados e por fazer parte da minha história. Que Deus te abençoe hoje e sempre. Que os sons a sua volta sempre ecoem a melodia da vida e que as pedras no caminho não firam seus pés. 
Feliz aniversário irmã! Eu te amo!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Tiro no escuro


Atiro uma pedra ou duas e não mais e mesmo assim tropeço nelas lá na frente. Os tombos deixam marcas que não sei em que momento irá cicatrizar. Será que algo desaparece nesse eterno processo de memorizar tudo que vivemos?
Memórias são mais fortes quando ligadas com emoções e isso determinará o grau de bem estar gerado pela evocação. Sabendo disso, por que tanta gente insiste em deixar as lembranças mais trágicas?
Não quero cair seja na rua ou de para-quedas em sua vida. Quero aterrissar em seu coração e ter minha cadeira cativa. Não quero estar sentado e estático apenas olhando sua vida seguindo, quero participar ativamente ao seu lado de tudo que possa lhe interessar.
E quando não há espaço? E quando não há oportunidade?
Estou cansado de repetições onde sempre sou a alavanca que impulsiona e no fim fica jogada ao chão sem forças para subir novamente. Preciso de afeto, preciso de presença. Não nasci para ser válvula de escape ou distração de uma noite.
Definir prioridades é deixar outras situações de lado. Ter atitude é arcar com as consequências dessa escolha. Ter coragem é declarar o que realmente quer ao invés de deixar tudo implícito. Não quero ser a ligação por falta de opção, a companhia por falta de outra mão ou o beijo por falta do que fazer.
Assumi um compromisso comigo antes que você e isso será cumprido. Não espere me perder para perceber o quanto a ausência de equilíbrio prejudica. Não espere eu ir, porque quando vou eu não retorno mais!

domingo, 26 de agosto de 2012

Silêncio, por favor!

As vezes não precisa muito para magoarmos alguém. Podemos magoar sem fazer nada, sem falar nada. e muitas vezes sem perceber que estamos nesse caminho. Deixamos de dar a atenção devida e alguns mínimos detalhes deixam marcas enormes em uma vida. Pessoas e suas individualidades, carências e ausências...complexas!
Nos recomendam muitas vezes que devemos cuidar do que falamos para os outros mas esquecem que a maioria de nossa fala é não verbal. Nossos comportamentos gritam escancaradamente o que a boca cala e com isso nos enganamos achando que ninguém nota algumas atitudes.
Uma agressão física dói por um tempo e apesar de ter um efeito imediato não atinge a potencialidade de uma agressão verbal. Palavras ferem no íntimo do ser, ainda mais quando encontramos alguém com tendência a ruminar o que ouve. 
Uma frase mal interpretada te faz perder oportunidades, afasta pessoas do seu convívio e pode demorar até que você consiga consertar o equívoco. Só que as vezes é melhor você ferir pela palavra do que pela indiferença.
O silêncio corta um coração que anseia por respostas. A ausência angustia uma alma que clama por presença. A indiferença fere vidas....mais do que percebemos.
Cuide de que você fala e mais ainda, do que você cala porque o silêncio diz muito mais do que qualquer palavra!

sábado, 25 de agosto de 2012

Tragadas e pensamentos

Acendo um cigarro nesse final de tarde e deixo meus pensamentos livres para voarem. Começo pensando sobre o que farei nessa noite e de repente me perco em minhas divagações.
Dou mais um trago e sopro a fumaça para o alto. Vejo ela se dissolvendo pouco a pouco no ar enquanto estou absorto em sua dança no vento. Caio em mim e dou risada sozinho por estar parado contemplando a fumaça de um cigarro. É, não posso negar que o dia está estranho, não sei se estou feliz, triste ou entediado.
Mais um trago e dessa vez é a chama vermelha a queimar que me hipnotiza. Olhando parece inofensiva mas não atrevo a tocá-la em minha pele. Dissimulada! Seduz e engana deixando marcas por onde toca. Quantas não são as pessoas assim nesse mundo? E essas diferentemente acabam sendo intragáveis.
Fico ali sentado no chão dando um trago após o outro e me perdendo em meus pensamentos. Talvez esteja tudo desconexo hoje. Me vejo sozinho sem companhia alguma a não ser um maço de cigarros e as estrelas no céu.
Está tudo tão silencioso que posso ouvir meus pensamentos que estão longe hoje. Vão se dissipando no ar como a fumaça que sai de dentro de mim. Por alguns momentos tenho a impressão de que consigo jogar algo fora com essa fumaça ainda que de forma momentânea e passageira. 
Acendo mais um cigarro, ainda não cheguei a uma conclusão do que farei essa noite. Na verdade não cheguei a conclusão alguma e não sei se um dia chegarei...

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Canção de Narciso

Ouço a voz do vento gritando pelo meu nome em minha janela. A vida me convida a viver e sair do meu esconderijo que tanto me abriga. Fugir da realidade não evita o sofrimento, pelo contrário, gera um sofrimento solitário que é o mais doloroso.
Atrevo a olhar a paisagem que se estende em meus jardins e vejo que as flores vivem um eterno ciclo de secar e morrer para poder ressurgir. Perdem sua beleza e sua cor mas o essencial permanece: as raízes. Tal qual como uma árvore velha aqui estou eu com minhas raízes fincadas e nada poderá me derrubar.
Sou forte, sou vento e trovoada a gritar em uma noite escura. Sou maior do que o tamanho que penso ter e posso muito mais do que muitos imaginam. Sou meu guia e minha salvação ainda que me perca.
Do que vale o ouro que te adorna se por dentro está tudo cinza e sem brilho? Minha alma grita pela liberdade e meu olhos transbordam a vitalidade. Já não há mais espaço para aquilo que em nada me acrescenta. Sou recomeço de uma história inacabada, sou frio e gelo que sol alguém consegue derreter. 
Não ouse me tocar para me ferir porque quem se ferirá é você. Nesse jogo eu quem dou as cartas e a sorte está ao meu lado. Minhas mãos calejadas sabem onde tocar para atingir meus objetivos. Sou força  que nunca se cansa em busca do meu espaço nesse mundo.
Sou aquele que você não conhece e que espelho algum mostrará de fato quem é. Sou ferida cicatrizada e a esperança de novos dias. Calendários não contam histórias e de nada servem se você não aproveitar os dias que lhe são dados.
E o horizonte me mostra que há muito ainda para ser conquistado. O mundo é imenso e eu sou um grão de areia nessa imensidão. Sou uma eterna construção de um infinito processo de obras. Produzo e produzo e sempre quero mais. 
Quero mais de mim e de você, quero mais do mundo, quero mais das pessoas. Não quero qualquer coisa: quero o melhor!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Acenda a luz

Por vezes as situações da vida insistem em desmotivar-nos e com isso vamos perdendo nosso brilho e nossa essência de ser. Tornamo-nos meros reprodutores de ações em meio a um mundo onde aquele que se opõe quase sempre é alvo de apedrejamentos.
Quantas vezes nos perdemos e continuamos a caminhar mesmo sem saber para onde estamos indo. Seguimos vozes que não conhecemos e caminhamos rumo ao desconhecido sem questionar onde chegaremos com isso.
O que chamamos de vida corresponde às nossas atitudes e então emerge-se a necessidade de um autoconhecimento que possibilite a redescoberta dos nossos valores e desejos. Sabendo quem somos é que poderemos nos colocar na condição do ser. Por falar em ser, esse sempre é confundido com o ter e então criamos ilusões de que possuindo algo iremos ter a condição de existência. Tolice! Viver está além de ter.
O ter representa posse e quase nunca temos posse de nada. Na verdade, a posse remete a prisão e a única condenação que temos é a da liberdade. Ser livre implica em responsabilidades e isso sempre gera angústia porque liberdade é escolha e renúncia, ambivalência assim como tudo na vida.
Por vezes nos vemos cercados pela dor e pelo sofrimento. São as noites escuras que a alma precisa habitar para poder crescer. São os momentos em que quase perdemos o folego que nos fazem valorizar esse bem precioso que muitas vezes é desperdiçado.
Quantas noites escuras enfrentei em minha vida e quantas vezes achei que seria impossível recomeçar. Sendo a vida um eterno processo - que implica em torções - é preciso saborear de todos os sentimentos possíveis para poder um dia provar a felicidade.
Hoje não tenho mais medo de fantasmas ou monstros no meio da noite. Aprendi a lidar com os monstros dentro de mim: meus medos e minhas frustrações. Nesse aprendizado concluí que a vida por mais escura que uma hora possa parecer sempre haverá uma saída e uma nova chance e é nisso que sempre acreditarei.
Tenho uma única certeza, pessoas melhores sempre chegam, novos momentos me esperam, meu sorriso hoje é aberto assim como meu coração e somente a escuridão que possibilita que a luz brilhe cada vez mais forte!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Ponto de embarque


Um mês atrás eu estava sentado e tinha essa visão enquanto aguardava a sua chegada e então resolvi fotografar o momento que me marcaria. Me chamaram de sem juízo por estar fazendo isso, mas, naquele momento eu não pensava em mais nada a não ser em tentar ser feliz.
De modo estranho eu não me via dominado pela ansiedade e me sentia seguro de mim e do que faria. E você chegou, fazia frio e havia chuviscado. Sua blusa era banca e então fui em sua direção e te dei um abraço. Permissividade? Não sei. Senti vontade e me entreguei.
Caminhamos e conversamos e o clima era agradável. Gostei do seu jeito de falar, gostei do seu sorriso e do seu olhar. E finalmente pude provar o que tanto esperava, o sabor do seu beijo, o seu toque e o seu cheiro. E foi tudo tão bom! Houve ligação...
Estranhamente não me senti acuado ou desconfortável. As coisas foram acontecendo e acontecendo e eu me permitindo. Nunca vou me esquecer de ver você ao meu lado no momento em que eu mais precisava de um abraço e de um colo. Nunca vou me esquecer do seu modo de tratar minha família, de falar com meus amigos e do seu jeito carinhoso de ser.
Tem sido você um dos meus maiores motivos de prosseguir. Tem sido você a alegria dos meus dias e o sorriso aberto a me motivar. Tem sido você minha maior saudade, minha única vontade e meu grande amor. 
Gosto de acordar do seu lado e poder te acariciar. Gosto da sua forma despojada, do seu olhar pacífico e do seu jeito carinhoso com as pessoas.
Gosto de você assim como é, com suas vivências, com suas histórias e com sua intensidade que em alguns momentos me assustam. Gosto de você simplesmente por gostar, sem que para isso deva procurar motivos. E gosto ainda mais por você me conquistar a cada dia mais.
Um mês se passou e a primeira impressão pode não ser a que fica para sempre, mas é a que nos marca profundamente. Você me marcou e ficou em mim....

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Transição

Há alguns meses atrás eu via a vida totalmente diferente do que vejo hoje. Ainda que a vida seja uma eterna metamorfose por vezes nos estagnamos e não vemos uma saída ainda que ela esteja bem diante dos nossos olhos.
A dor de cada um é sempre a maior das dores mesmo e deve ser respeitada em toda sua intensidade. O sofrimento é inerente a nossa existência e se torna patológico na medida em que nos põe em uma situação de inexistência. Sofrer é consequência e algumas vezes escolha, porém, temos que aprender a desenvolver a capacidade de ser resiliente frente a tudo que nos desmotiva.
Hoje olhando para o meu passado - recente - me assusto ao perceber o quanto fui além. Rompi meus limites e venci. Desconstruí pseudo-verdades e me reconstruí novamente deixando para trás pesos desnecessários.
Algumas vezes é preciso que nos fechemos diante de tantas situações para que possamos reencontrar o equilíbrio necessário para viver. Me fechei, não para o mundo mas para mim e me olhei de frente. Dói se olhar e perceber que algumas condutas não são positivas para nós. Dói abandonar velhas formas e calçar novos sapatos que vão nos causar bolhas. É mais fácil acomodar-se perante tudo e continuar nessa eterna resistência convivendo com as feridas ao invés de buscar arrancar as cascas e fazer com que tudo cicatrize de vez.
Se hoje tenho medo do que o futuro me reserva? SIM. Incertezas nos assustam! Só que hoje não me paraliso pelo medo e vou em frente em busca da minha felicidade. E o tempo pode ser um amigo ou um grande inimigo: a escolha é sua!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Joelhos ralados

E os dias de silêncio se prolongam em minha alma. É um grito preso em minha garganta que anseia por escapar. Meus pensamentos se confundem e perco o ritmo da vida e dos meus passos. 
Tropecei, caí e ralei minhas mãos e meus joelhos. Senti na pele o sangue quente jorrar dentro de mim. Levantei e prossegui, feridas uma hora se cicatrizam e restam apenas marcas que nos mostram o que um dia só restarão marcas.
Se pelo caminho me perdi hoje me encontrei. A vida as vezes precisa ser posta de cabeça para baixo para que tudo volte ao lugar. Estar perdido não é de todo ruim, é sinal de que um dia me encontrei e que preciso repetir esse processo diariamente e a cada segundo.
A todo tempo somos bombardeados de falsas verdades sobre nós por vozes e olhares que insistem em nos julgar. Mas, o segredo está em aprender a ouvir a nossa voz interior - essa mesma que por vezes sufocamos - e então sorrir para a vida, para o céu e para as pessoas.
Se hoje sinto ainda esse nó na garganta é um bom sinal: ainda me permito sentir! Não desisti de viver, não desisti de acreditar e então me permito. Permito-me correr na chuva em um domingo a tarde e a contemplar um pôr do sol quando me dá vontade. Permito-me sentar sob uma árvore em um dia de outono e sentir as folhas caindo sobre mim e permito-me sentar em um banco num dia frio e sentir o vento tocando meu rosto e ser aquecido pela minha imensa força de viver.
Joelhos ralados? Doem ali na hora e mais algum tempo, mas cicatrizam e a ferida para de sangrar e sem que percebamos estaremos andando novamente rumo ao infinito! Posso cair mil vezes, mas não desistirei de prosseguir porque com a dor eu aprendo a persistir.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Rest in peace

(Vilson Garcia Malacrida - in memorian)

A vida é sempre enigmática! Sim, um eterno enigma que nunca é decifrado e por isso somos sempre devorados. Nascemos para a morte, mas acredito que com a morte ressurgimos também. Morte é passagem, travessia para sabe-se onde, separação temporária dos nossos sentidos que vão se enfraquecendo ao ponto de restar apenas uma imagem visual e mais nada.
Separações sempre implicam em dor desde que temos que nos separar do útero materno que nos protege de todos os conflitos com esse mundo externo imenso. Talvez a morte seja um retorno a um lugar onde estaremos distante de toda dor, lágrimas e sofrimento. Um lugar onde só exista alegrias e partilha, compreensão e ausência de julgamentos. Morrer é caminhar para a plenitude.
Deparar com a morte de alguém faz com que pensemos em nossa vida, uma vez que vai de encontro com o nosso narcisismo quebrando a ideia de que não somos onipotentes e eternos. Eternidade existe na medida em que somos especiais para os que ficam, pois, estes é que terão o dom de nos eternizar em suas memórias.
É dificil aceitar a morte seja por qual motivo, porém, mais difícil ainda é aceitar a morte de pessoas jovens, com seus sonhos e projetos ainda a serem realizados. Fere a lei da espécie em que prega-se que devemos morrer velhinhos depois de realizarmos grande parte dos nossos projetos. Fere a lei da vida em que filhos enterram pais e não o contrário. 
E quando nos deparamos com uma morte repentina custamos a acreditar. A negação como processo estende-se além do suportável e então tudo torna-se ambivalente. Dicotomia de sensações, de emoções, de pensamentos.
Não há justificativas por mais que procuremos encontrá-las para um possível conforto. Não há razão para ser quando não se é mais nada além de matéria. E o que ficou? E quem ficou? E como será?
Perguntas e mais perguntas que não possuem respostas se não aquele velho consolo: "só o tempo". Só o tempo mesmo, esse tesouro precioso que desperdiçamos tantas vezes com nossos medos e neuroses. Tempo sagrado que deve ser aproveitado em todos seus aspectos porque um dia a vida se finda diante de nossos olhos e nada mais restará, e o que antes era ocupado por presença, será lugar para um sentimento nobre - e algumas vezes doloroso - chamado saudade.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Fogos e luzes

(Foto: Juliano Rosa - Albúm de Juliano )
As vezes a gente se sente assim tão distante do mundo e com uma vontade infinita de se distanciar ainda mais. Dá uma louca vontade de fugir para uma ilha deserta e não ouvir som algum além daqueles próprios da natureza.
Tem tardes em que a vontade é sentar diante do mar e contemplar o pôr do sol pedindo que ele leva consigo aqueles pensamentos que tanto atormentam e que se confundem dentro de nós bagunçando os sentimentos.
Tem noite em que a única vontade é sentar diante de uma fogueira com um violão nas mãos e cantar até o sol raiar. Cantar tão alto e tão forte a ponto de acordar o mundo e quem sabe ouvir mais vozes cantando a vontade de ser livre em meio a tantas prisões invisíveis. 
Tem gente que engana. Tem gente que ama. Tem gente que finge. Tem gente que não esconde. Tem pessoas e pessoas e as vezes o que você procura nunca se encontra. E o que fazer?
As vezes tenho um silêncio que grita tão forte dentro de mim que acaba tirando o meu sono e meu equilíbrio.  E o som é tão alto e tão forte mas somente eu posso ouvir, porque vivemos em um mundo onde não é permitido gritar, pisar na grama e mesmo assim ainda temos que sorrir porque somos filmados a todo instante.
Acendam uma luz em meio a essa escuridão e iluminem meus passos. Me dê suas mãos e me leve junto com você para onde for, só não me deixe aqui sozinho em meio a tantos monstros que habitam dentro de mim. Não tenha medo de me olhar e nem de me desvendar, se souber como fazer irá chegar direto em minha alma e verás que tenho algo de bom em meio a tudo isso.
As vezes a gente precisa apenas de um abraço que dure uma eternidade...
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